domingo, 30 de janeiro de 2011

Ana...

No verde sólido da crosta terrestre
Passeia a menina que nada sabe,
Cresce em folhos de luvas rotas
Na imensidão do morangal luzidio!
É nos seus longos cabelos que se prende,
Na ternura do seu sorriso que carece,
No leve gesto de infância que a não detém!
Sem rédeas, livre de pensamento,
Joga com as papoilas da sensação,
Na tortura das rosas da razão,
Onde, em cordas bambas, eleva o corpo
E deixa cair o pano da isenção.

A outras mãos gélidas, o ser maior se redimiu,
Rápido... Demasiado rápido...
Quedo nos olhos fechados, escuros...

A menina, de repente, flutua.
A corda, que por mais bamba a segurava,
Demite-se de um tempo que não é já seu,
Aprova a aflição do vazio, só...
Reflecte nos olhos a lágrima espinhosa da partida,
Na dura e rude sensação de viver...

A não esquecer, determinante,
Que a raiz da papoila ainda se alimenta,
Todavia os espinhos engrossam na rosa pura,
E, nos buracos da luva rota, a pele é a mesma, só tua...

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