quinta-feira, 11 de março de 2010

Murmúrios

Som:
Vozes tontas gritam.
Cães ladram,
Alto... muito alto...

Sem som:
O calor do sangue a percorrer cada veia do teu corpo.
O amor nas hemácias.
O ódio nos leucócitos.
O cérebro...
Pensa...

Surdo.
Sem som.

Não surdo.
Som.

Preferia ser surdo...

Ilusão

Oh chuva lenta que cais do beiral,
Abasteces o meu coração na raiva sangrenta do presente,
Afastas o medo do futuro lavado
Lágrimas firmes num não querer chorar
Folhas vazias de um caderno preenchido,
Exausto
Tintas de aparo quebrado na inconstância viva da letra miudinha,
Célere vaguear estonteante nas mãos de poeta.

Cai chuva, cai!
Embeleza os campos de verde
Para que neles o meu amor se recoste,
Enche os rios de margens longas
Para que neles o meu amor se dilua,
Para que neles, eu, num só
Sinta o prazer da solidão...

E são nestas folhas de caderno
Breves
Onde em riscos largos me apoio
Escondendo a felicidade...

Amar

Se prescindisse do teu corpo,
Pele,
Sensação límpida de dois amantes,
Precisão tímida da mente humana!
Se de corpos falasses tu...

Quisera que abraços se confundissem
Beijos se confrontassem,
Carícias perdidas!...

Se do meu nome escrevesses AMAR,
Pedras rubras fugídas da falésia,
Onde o mar se escapa...

E se do nada
Sentimentos vagos
Se fizesse o meu querer
Veemente ideia
E nele o teu nome deixasse escrito,
Entre páginas sem fim
Brancas,
Pois no canto do meu sorriso
Lágrimas!...