domingo, 7 de fevereiro de 2010

Chuva

O céu chora lá fora...

Será que fez mal a alguém?
Arrependimento...
Será que alguém lhe fez mal?
Tristeza...
Será que espera por alguma coisa?
Angústia...
Simplesmente chora...

A chuva dos meus olhos tão pouco almeja cair,
Queda-se na eterna profundez etérea do significado das coisas,
A sensação...
Aquilo que se sente, de tão leve toque se assemelha,
De tão pura gente se rodeia,
De tão solitário caminho se prolonga...

A lágrima cai agora...
Ácida!
Tempos lá vão onde havia mãos para a segurar,
Lábios onde se quedava na salgada experiência de um beijo,
Suave carícia a dois...
Neste momento de solidão, encravo-a!
Tranco-a com as sete chaves do destino,
Onde o futuro esmaga o meu presente
E o passado queimo-o nas mãos...

Nesta solidão prazenteira que não é de arrependimento,
Nem de tristeza
E nem de angústia,
É minha...
Já que de todos nada espero, ao menos deixo a minha pretensão de continuar a escrita criativa que a todos nos move, com o desprezo de um dia não haver dedos para a palavra, nem olhos para a leitura!!

Obrigado do fundo do coração a quem se digna a sentir-me inteiramente e sem pressupostos...

SS

Os Outros Em Mim

Desconcertado...
Estou livremente ausente das rédeas do pensamento.
A sensação vislumbra o espaço de futuro que me alcança,
Perco-me no vaguear intenso da eternidade,
Busca vã...
Prendo-me no esquecimento de um eu que já foi,
Gratuitos sorrisos furtivos, mascarados.
Gritos mudos de cabeças tortas em leves tons de pincel.
A tela está suja,
Não há harmonia nas cores,
Que pincel é este?
Tinta dura de tempos olvidada, enegrecida.
Fungos acres e asquerosos,
Mal se notam os brilhos próprios.
Não sei pintar, dei-me conta...
A ponta dos dedos dedilha o sinal efémero que um dia senti,
Chama intensa que ao apagar se queimou,
Incandescente luminária sem pavio, morta!
Rodeio-me daquilo que me faz pensar...
A palidez imortal das pessoas que passam,
Lá fora...
Fecho, trancadas, as sensações que um dia me levaram a nadar neste mar sem fundo,
Qual barco à deriva sem vela para orientar...
Sem vento a soprar...

E agora volto-me a mim.
Quedo na imensidão da escolha,
O céu é imenso!
Olho atrás e, sem pensar, descrevo rumos que ao certo não sei bem de quem são.
Meus? Nem por isso...
Onde cada um sente o inatingível, eu só sinto a música,
Esta alcança os meus dedos nas palavras que escrevo, nos sentimentos que me pintam.
A cor é minha, num tom que não se vê.
Tentas perscrutar, vá lá tenta!
Ao menos que seja isso...