segunda-feira, 27 de julho de 2015

Hoje

Recordo o teu olhar.
Guardo-o nas sete chaves da lembrança,
Um dia voltarei a buscar-te!
Espelho no mar o abraço,
Onde o silêncio bate na rocha,
E eu deixo-me ficar!
Foi hoje,
A liberdade da carícia da tua mão leve,
Só se ouvia o roçar da pele...
Nesta cadência me mantenho,
Inusitado timbre de dois desconhecidos,
Quando a sombra do querer nos envolve
Longe
Na doce colectânea da expectativa!
As tuas asas vi abertas
No vento forte que nos aquietou,
A tua alma subtil voa ainda
Na ponta dos meus dedos!

Aqui e agora!

Volto aqui.
Após alguns anos que me fizeram crescer.
Volto com outro alcance,
Outra meta,
A liberdade!
Volto na procura de mim mesmo
Na descrença do mundo...
Volto pelo prazer que a escrita me devolve
Na graciosidade da partilha!
Volto porque sou eu
De novo!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Depois

Sem cerimónias esqueces o negro da pele escura
Preenches com nódoas
Ao Sol não se notam
Sombras...
Na boca o cigarro vais apagando
Cinzeiro furado que criaste em prol do fumo
Azul!
Brilham as faces encovadas que sugam
Sopram outras que já engoliram
Neve...
O frio cortante em lâminas de sangue
Pensamentos que vagueiam em motins
Mudos
És só um
Sozinho
Palmilha o terreno que te invade
Nele não plantes
Enterra
Fecunda os sentimentos que buscas
Incansável
Filosofias trémulas em entendimentos podres
Iluminura da cidade esquecida.
Vives
Caminhas
Os socalcos estão limpos
Podes aparcar...
O sinal da conduta alinha-te na mágoa
Sentes
Inevitável
O brilho ténue do futuro permanece
Esquecido
Levanta-te
Não esqueças que o passado cresceu
Num tempo verbal que não existe
Dentro
Sobre a folha de papel chora o lápis a sua ternura
Da mente usada e terminal
A minha

Esqueci

Nos braços da poesia descanso.
Em breve a vicissitude dos enlaces persegue
Na ínfima parte rodeada do meu pensar.
Deixo-me ficar nos encalços da mente límpida
Nos tremendos laços da frescura presente.
Naquilo que esqueci em momentos
Onde, frígida, a alma retorna
E onde em pedaços de mim me desmembrei
Leve no cair do esquecimento.
Deixo-me ficar, mais uma vez
Para não adormecer, nos braços da poesia
Nos beijos doces da ponta dos dedos
Grafismos que não reconheço.
Na sensação breve que me detém
As palavras repetem-se
Não esquecendo nunca a sua eterna novidade!
E assim a Lua não pesa,
No escuro que me acompanha...

domingo, 30 de janeiro de 2011

Ana...

No verde sólido da crosta terrestre
Passeia a menina que nada sabe,
Cresce em folhos de luvas rotas
Na imensidão do morangal luzidio!
É nos seus longos cabelos que se prende,
Na ternura do seu sorriso que carece,
No leve gesto de infância que a não detém!
Sem rédeas, livre de pensamento,
Joga com as papoilas da sensação,
Na tortura das rosas da razão,
Onde, em cordas bambas, eleva o corpo
E deixa cair o pano da isenção.

A outras mãos gélidas, o ser maior se redimiu,
Rápido... Demasiado rápido...
Quedo nos olhos fechados, escuros...

A menina, de repente, flutua.
A corda, que por mais bamba a segurava,
Demite-se de um tempo que não é já seu,
Aprova a aflição do vazio, só...
Reflecte nos olhos a lágrima espinhosa da partida,
Na dura e rude sensação de viver...

A não esquecer, determinante,
Que a raiz da papoila ainda se alimenta,
Todavia os espinhos engrossam na rosa pura,
E, nos buracos da luva rota, a pele é a mesma, só tua...

Qualidades

Com toda a certeza que difiro!

Difiro das vozes que me rodeiam,
Difiro dos gritos que me ensurdecem,
Difiro da sensação globalizada, rude,
Das almas negras, acomodadas,
Dos ventos do Norte que nada transformam,
Das torrentes violentas que embarcam, tristes, os moribundos,
Batalhas inauguradas, sem armas...

Difiro, sim, difiro!

Torno-me mais puro, autêntico, maior,
No prazer da diferença
Na simplicidade da existência
Na grandeza da unicidade!

Garanto passos longos na pedra do caminho,
Solitário, mas satisfeito!

Obrigado

Com tanto para dizer, as palavras
Não se compõem na mente.
O bloqueio do presente torna árida a vontade,
Gela o temperamento, leve.
No fundo da alma pensante,
Um universo de ideias fervilha, doido,
Em busca de um nada inalcançável,
De um todo possível, apesar de exíguo...
Insatisfação inata que se apodera do sensível,
Vozes que desconheço e traduzo, simples!
Capacidade preponderante, natural!
Ao invés da paragem, o cogito acelera,
Torna límpido o futuro que se estende
Aumenta o ritmo da percepção.
E, sem remédio, breves os dedos na escrita,
Rápido o pensamento na ideia,
Quando, sem dúvida, brilha o coração
Na sensação da felicidade,
Rasga o sorriso no prazer do sentir,
E, mesmo na distância,
Pleno o meu ser em toda a tua presença!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Contigo

Invade sórdida o meu olhar
A flecha morta do cansaço,
Efémera insónia de noites escuras.
Pelos gritos mudos de uma paixão, sentida,
Por toques breves de pele áspera,
Vivo no enlace que me detém, firme,
Na sensação errónea da idiossincrasia que não me cabe.
Completo versos soltos numa poesia desconexa,
Que só a mim faz sentido,
Numa caminhada perene que o desconhecido alcança...
Sozinho, planeio sonhos de arquitecturas planas,
Esquivos tectos de telhas soltas onde, quieto,
Descrevo linhas oblíquas no encalço do destino.
A pensar morreu um burro,
Dizem os velhos sentados no degrau das casas,
Estes que de vida se encheram
E que a morte vêem passar.
Esse pensamento não o quero eu!
Quero a vida nas entranhas,
O desejo puro de liberdade,
Na quietude do amor.
Quero os prazeres a desfrutar
Na cumplicidade a dois.
E sabes que mais?
Quero-o contigo!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

És Tu!

És tu!
Ajudas-me no encalço das letras,
Na pressa de chegar,
No momento do sorriso,
Na quietude de voltar.

És tu!
No devaneio do sonho,
Onde me prendes no abraço,
Em que a vigília doentia,
Se desfaz do embaraço.

És tu!
Aquele que sente,
No poder da distância,
A infinita presença,
No lugar da esperança!

E isto sou eu,
Na sensação tranquila de ti!

Árvore Minha

Bom dia! Dizem as árvores nuas no bosque de Inverno.
Ramos que prendem as ternuras do crescer,
Vertical,
Da mente!
Cresço contigo no alcance do sonho,
Cresço contigo no destino do entendimento,
Cresço contigo longe, nos braços da saudade!
É aqui que comigo partes,
Viagens infinitas do sentir presente,
Vagas maduras de frutos pensados,
Não vividos...
Queres? Perguntam as árvores.
Muito, respondo sorrindo!
É lá, no futuro hesitante, que vive a esperança.
Parece que há desassossego na sensação
Aos olhos de quem ama,
Na pele de quem sente,
Mas tenho a dizer-te,
Árvore minha,
Que é na harmonia nostálgica do presente
Que te sinto
Que te quero
Que nos concebo...
Com toda a certeza que o nosso mundo não se dissipa,
E os vencedores, no fim, abraçam-se!