No verde sólido da crosta terrestre
Passeia a menina que nada sabe,
Cresce em folhos de luvas rotas
Na imensidão do morangal luzidio!
É nos seus longos cabelos que se prende,
Na ternura do seu sorriso que carece,
No leve gesto de infância que a não detém!
Sem rédeas, livre de pensamento,
Joga com as papoilas da sensação,
Na tortura das rosas da razão,
Onde, em cordas bambas, eleva o corpo
E deixa cair o pano da isenção.
A outras mãos gélidas, o ser maior se redimiu,
Rápido... Demasiado rápido...
Quedo nos olhos fechados, escuros...
A menina, de repente, flutua.
A corda, que por mais bamba a segurava,
Demite-se de um tempo que não é já seu,
Aprova a aflição do vazio, só...
Reflecte nos olhos a lágrima espinhosa da partida,
Na dura e rude sensação de viver...
A não esquecer, determinante,
Que a raiz da papoila ainda se alimenta,
Todavia os espinhos engrossam na rosa pura,
E, nos buracos da luva rota, a pele é a mesma, só tua...
domingo, 30 de janeiro de 2011
Qualidades
Com toda a certeza que difiro!
Difiro das vozes que me rodeiam,
Difiro dos gritos que me ensurdecem,
Difiro da sensação globalizada, rude,
Das almas negras, acomodadas,
Dos ventos do Norte que nada transformam,
Das torrentes violentas que embarcam, tristes, os moribundos,
Batalhas inauguradas, sem armas...
Difiro, sim, difiro!
Torno-me mais puro, autêntico, maior,
No prazer da diferença
Na simplicidade da existência
Na grandeza da unicidade!
Garanto passos longos na pedra do caminho,
Solitário, mas satisfeito!
Difiro das vozes que me rodeiam,
Difiro dos gritos que me ensurdecem,
Difiro da sensação globalizada, rude,
Das almas negras, acomodadas,
Dos ventos do Norte que nada transformam,
Das torrentes violentas que embarcam, tristes, os moribundos,
Batalhas inauguradas, sem armas...
Difiro, sim, difiro!
Torno-me mais puro, autêntico, maior,
No prazer da diferença
Na simplicidade da existência
Na grandeza da unicidade!
Garanto passos longos na pedra do caminho,
Solitário, mas satisfeito!
Obrigado
Com tanto para dizer, as palavras
Não se compõem na mente.
O bloqueio do presente torna árida a vontade,
Gela o temperamento, leve.
No fundo da alma pensante,
Um universo de ideias fervilha, doido,
Em busca de um nada inalcançável,
De um todo possível, apesar de exíguo...
Insatisfação inata que se apodera do sensível,
Vozes que desconheço e traduzo, simples!
Capacidade preponderante, natural!
Ao invés da paragem, o cogito acelera,
Torna límpido o futuro que se estende
Aumenta o ritmo da percepção.
E, sem remédio, breves os dedos na escrita,
Rápido o pensamento na ideia,
Quando, sem dúvida, brilha o coração
Na sensação da felicidade,
Rasga o sorriso no prazer do sentir,
E, mesmo na distância,
Pleno o meu ser em toda a tua presença!
Não se compõem na mente.
O bloqueio do presente torna árida a vontade,
Gela o temperamento, leve.
No fundo da alma pensante,
Um universo de ideias fervilha, doido,
Em busca de um nada inalcançável,
De um todo possível, apesar de exíguo...
Insatisfação inata que se apodera do sensível,
Vozes que desconheço e traduzo, simples!
Capacidade preponderante, natural!
Ao invés da paragem, o cogito acelera,
Torna límpido o futuro que se estende
Aumenta o ritmo da percepção.
E, sem remédio, breves os dedos na escrita,
Rápido o pensamento na ideia,
Quando, sem dúvida, brilha o coração
Na sensação da felicidade,
Rasga o sorriso no prazer do sentir,
E, mesmo na distância,
Pleno o meu ser em toda a tua presença!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Contigo
Invade sórdida o meu olhar
A flecha morta do cansaço,
Efémera insónia de noites escuras.
Pelos gritos mudos de uma paixão, sentida,
Por toques breves de pele áspera,
Vivo no enlace que me detém, firme,
Na sensação errónea da idiossincrasia que não me cabe.
Completo versos soltos numa poesia desconexa,
Que só a mim faz sentido,
Numa caminhada perene que o desconhecido alcança...
Sozinho, planeio sonhos de arquitecturas planas,
Esquivos tectos de telhas soltas onde, quieto,
Descrevo linhas oblíquas no encalço do destino.
A pensar morreu um burro,
Dizem os velhos sentados no degrau das casas,
Estes que de vida se encheram
E que a morte vêem passar.
Esse pensamento não o quero eu!
Quero a vida nas entranhas,
O desejo puro de liberdade,
Na quietude do amor.
Quero os prazeres a desfrutar
Na cumplicidade a dois.
E sabes que mais?
Quero-o contigo!
A flecha morta do cansaço,
Efémera insónia de noites escuras.
Pelos gritos mudos de uma paixão, sentida,
Por toques breves de pele áspera,
Vivo no enlace que me detém, firme,
Na sensação errónea da idiossincrasia que não me cabe.
Completo versos soltos numa poesia desconexa,
Que só a mim faz sentido,
Numa caminhada perene que o desconhecido alcança...
Sozinho, planeio sonhos de arquitecturas planas,
Esquivos tectos de telhas soltas onde, quieto,
Descrevo linhas oblíquas no encalço do destino.
A pensar morreu um burro,
Dizem os velhos sentados no degrau das casas,
Estes que de vida se encheram
E que a morte vêem passar.
Esse pensamento não o quero eu!
Quero a vida nas entranhas,
O desejo puro de liberdade,
Na quietude do amor.
Quero os prazeres a desfrutar
Na cumplicidade a dois.
E sabes que mais?
Quero-o contigo!
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
És Tu!
És tu!
Ajudas-me no encalço das letras,
Na pressa de chegar,
No momento do sorriso,
Na quietude de voltar.
És tu!
No devaneio do sonho,
Onde me prendes no abraço,
Em que a vigília doentia,
Se desfaz do embaraço.
És tu!
Aquele que sente,
No poder da distância,
A infinita presença,
No lugar da esperança!
E isto sou eu,
Na sensação tranquila de ti!
Ajudas-me no encalço das letras,
Na pressa de chegar,
No momento do sorriso,
Na quietude de voltar.
És tu!
No devaneio do sonho,
Onde me prendes no abraço,
Em que a vigília doentia,
Se desfaz do embaraço.
És tu!
Aquele que sente,
No poder da distância,
A infinita presença,
No lugar da esperança!
E isto sou eu,
Na sensação tranquila de ti!
Árvore Minha
Bom dia! Dizem as árvores nuas no bosque de Inverno.
Ramos que prendem as ternuras do crescer,
Vertical,
Da mente!
Cresço contigo no alcance do sonho,
Cresço contigo no destino do entendimento,
Cresço contigo longe, nos braços da saudade!
É aqui que comigo partes,
Viagens infinitas do sentir presente,
Vagas maduras de frutos pensados,
Não vividos...
Queres? Perguntam as árvores.
Muito, respondo sorrindo!
É lá, no futuro hesitante, que vive a esperança.
Parece que há desassossego na sensação
Aos olhos de quem ama,
Na pele de quem sente,
Mas tenho a dizer-te,
Árvore minha,
Que é na harmonia nostálgica do presente
Que te sinto
Que te quero
Que nos concebo...
Com toda a certeza que o nosso mundo não se dissipa,
E os vencedores, no fim, abraçam-se!
Ramos que prendem as ternuras do crescer,
Vertical,
Da mente!
Cresço contigo no alcance do sonho,
Cresço contigo no destino do entendimento,
Cresço contigo longe, nos braços da saudade!
É aqui que comigo partes,
Viagens infinitas do sentir presente,
Vagas maduras de frutos pensados,
Não vividos...
Queres? Perguntam as árvores.
Muito, respondo sorrindo!
É lá, no futuro hesitante, que vive a esperança.
Parece que há desassossego na sensação
Aos olhos de quem ama,
Na pele de quem sente,
Mas tenho a dizer-te,
Árvore minha,
Que é na harmonia nostálgica do presente
Que te sinto
Que te quero
Que nos concebo...
Com toda a certeza que o nosso mundo não se dissipa,
E os vencedores, no fim, abraçam-se!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Em Ti
Nas delicadas mãos vazias
O leve toque se aconchega,
Macias ternuras de corpo carente,
Nu.
No meio da multidão pérfida,
O pensamento transporta o grito
Na boca calada do esquecimento,
Onde eu,
Escondido,
Detenho forcas atadas ao pensamento,
Livres momentos de arrasto sazonal,
Para onde as aves não voam nunca...
Nas mesmas mãos,
Agora cheias,
O toque extingue-se.
Passado.
A insatisfação inata do ser pensante,
O firme quebrar do vidro fosco,
Donde, à transparência,
O meu reflexo está espelhado:
Em ti!
O leve toque se aconchega,
Macias ternuras de corpo carente,
Nu.
No meio da multidão pérfida,
O pensamento transporta o grito
Na boca calada do esquecimento,
Onde eu,
Escondido,
Detenho forcas atadas ao pensamento,
Livres momentos de arrasto sazonal,
Para onde as aves não voam nunca...
Nas mesmas mãos,
Agora cheias,
O toque extingue-se.
Passado.
A insatisfação inata do ser pensante,
O firme quebrar do vidro fosco,
Donde, à transparência,
O meu reflexo está espelhado:
Em ti!
Sinto
Há uma história que te quero contar!
Nos abraços ténues do cogito,
A alma alvoroça a emoção,
Lembra narrativas contadas em realidades deturpadas,
Tormentas esquecidas de letras engarrafadas,
Tomos de palavras mortas no encéfalo renascidas!
E na boca de um rouxinol,
A mais bela princesa paira,
No encanto da primavera...
Era tarde, lá.
Faz frio, aqui.
Estavas tu, comigo perto.
Estou triste, só.
Ríamos de ternuras entrelaçadas, nas fundições de nós dois.
Choro a saudade.
Punhas no meu ombro o leve tom da tua mão, em longas carícias alcançadas, mútuas.
Preparo, quedo, o meu ficar.
Beijavas o meu ímpeto, na ternura do momento, na química da pele.
Permanece o gosto...
E olhavas de perto o meu olhar, amor!
Apeteces tu!
No precário quotidiano das gentes, vergo solto o meu pensamento,
Voltas, nas memórias de um pensar amotinado,
Onde destilo sensações,
Num tempo exangue que persiste, firme,
No íntimo que existes, em mim,
E naquilo que demora, em nós.
Ainda há uma história que te quero contar!
Esta do meu coração,
Que sorri,
Por ti!
Nos abraços ténues do cogito,
A alma alvoroça a emoção,
Lembra narrativas contadas em realidades deturpadas,
Tormentas esquecidas de letras engarrafadas,
Tomos de palavras mortas no encéfalo renascidas!
E na boca de um rouxinol,
A mais bela princesa paira,
No encanto da primavera...
Era tarde, lá.
Faz frio, aqui.
Estavas tu, comigo perto.
Estou triste, só.
Ríamos de ternuras entrelaçadas, nas fundições de nós dois.
Choro a saudade.
Punhas no meu ombro o leve tom da tua mão, em longas carícias alcançadas, mútuas.
Preparo, quedo, o meu ficar.
Beijavas o meu ímpeto, na ternura do momento, na química da pele.
Permanece o gosto...
E olhavas de perto o meu olhar, amor!
Apeteces tu!
No precário quotidiano das gentes, vergo solto o meu pensamento,
Voltas, nas memórias de um pensar amotinado,
Onde destilo sensações,
Num tempo exangue que persiste, firme,
No íntimo que existes, em mim,
E naquilo que demora, em nós.
Ainda há uma história que te quero contar!
Esta do meu coração,
Que sorri,
Por ti!
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Kosovo
Brilha, no canto do meu olho,
A lágrima da saudade,
Pérola da neve cálida da tua pele
Escorrida da pura leveza da minha sensação.
Na sede escondida do prazer
Envolves-me em laços firmes,
Breve toque carinhoso da tua alma!
Sinto a destreza da tua chama
Ardente na minha mente.
Sinto a doce mágoa da carência
Tendo-te perto,
E invocas em mim a serena qualidade do amor!
É quando me beijas que voo...
É quando me deténs nos teus braços que choro...
E na agressiva vontade do corpo
É nela que, juntos, nos entregamos.
Espera um sorriso quando entristeceres,
Não lembres dor ao deixar-me.
Leva-me contigo no canto da boca,
Eu ficarei em paz ao deitar-me...
E não esquecendo a longa margem que nos separa,
Recordo-te em pedaços de pele,
Na ponta dos dedos.
A lágrima da saudade,
Pérola da neve cálida da tua pele
Escorrida da pura leveza da minha sensação.
Na sede escondida do prazer
Envolves-me em laços firmes,
Breve toque carinhoso da tua alma!
Sinto a destreza da tua chama
Ardente na minha mente.
Sinto a doce mágoa da carência
Tendo-te perto,
E invocas em mim a serena qualidade do amor!
É quando me beijas que voo...
É quando me deténs nos teus braços que choro...
E na agressiva vontade do corpo
É nela que, juntos, nos entregamos.
Espera um sorriso quando entristeceres,
Não lembres dor ao deixar-me.
Leva-me contigo no canto da boca,
Eu ficarei em paz ao deitar-me...
E não esquecendo a longa margem que nos separa,
Recordo-te em pedaços de pele,
Na ponta dos dedos.
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