sábado, 8 de agosto de 2009

Cada um de nós

No encalço da paisagem idílica da tua mente,
Desenhas ruas esconsas, escuras,
Abertas a praças que delineias de saudade,
Portas de aço empurradas para dentro,
Chuva de espinhos que cai, mas não magoa.
Apertas no íntimo palavras de apreço,
Jogas as cartas duras do baralho do coração,
Onde tudo se esvai, tudo se apressa.
Onde tu próprio és menos tu.
Procuras seres que não conheces e invades-te.
Procuras algo que não esperas e perdes-te.
Na angústia do viver, entregas-te ao esplendor do desconhecido,
Tomas o líquido fervente do sentimento,
Embriagas-te na solidão do querer,
Evades a alma em canções de amargura.
Não mais te perturbas ao saber da vida…
O querer, o viver, o sentir, o saber,
Errantes marinheiros de mares obsoletos,
Onde a descoberta começa no fim,
Onde o início morre sem antes começar.
Ah! O eterno e efémero Estar.

E assim te quedas vivo.
Livre nas veias do teu corpo,
Onde a liberdade é cada um de nós,
Onde tu próprio és o Universo!

Sem comentários: