Oh chuva lenta que cais do beiral,
Abasteces o meu coração na raiva sangrenta do presente,
Afastas o medo do futuro lavado
Lágrimas firmes num não querer chorar
Folhas vazias de um caderno preenchido,
Exausto
Tintas de aparo quebrado na inconstância viva da letra miudinha,
Célere vaguear estonteante nas mãos de poeta.
Cai chuva, cai!
Embeleza os campos de verde
Para que neles o meu amor se recoste,
Enche os rios de margens longas
Para que neles o meu amor se dilua,
Para que neles, eu, num só
Sinta o prazer da solidão...
E são nestas folhas de caderno
Breves
Onde em riscos largos me apoio
Escondendo a felicidade...
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