domingo, 7 de fevereiro de 2010

Os Outros Em Mim

Desconcertado...
Estou livremente ausente das rédeas do pensamento.
A sensação vislumbra o espaço de futuro que me alcança,
Perco-me no vaguear intenso da eternidade,
Busca vã...
Prendo-me no esquecimento de um eu que já foi,
Gratuitos sorrisos furtivos, mascarados.
Gritos mudos de cabeças tortas em leves tons de pincel.
A tela está suja,
Não há harmonia nas cores,
Que pincel é este?
Tinta dura de tempos olvidada, enegrecida.
Fungos acres e asquerosos,
Mal se notam os brilhos próprios.
Não sei pintar, dei-me conta...
A ponta dos dedos dedilha o sinal efémero que um dia senti,
Chama intensa que ao apagar se queimou,
Incandescente luminária sem pavio, morta!
Rodeio-me daquilo que me faz pensar...
A palidez imortal das pessoas que passam,
Lá fora...
Fecho, trancadas, as sensações que um dia me levaram a nadar neste mar sem fundo,
Qual barco à deriva sem vela para orientar...
Sem vento a soprar...

E agora volto-me a mim.
Quedo na imensidão da escolha,
O céu é imenso!
Olho atrás e, sem pensar, descrevo rumos que ao certo não sei bem de quem são.
Meus? Nem por isso...
Onde cada um sente o inatingível, eu só sinto a música,
Esta alcança os meus dedos nas palavras que escrevo, nos sentimentos que me pintam.
A cor é minha, num tom que não se vê.
Tentas perscrutar, vá lá tenta!
Ao menos que seja isso...

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