Ao sabor da chuva velha,
Outra loucura não escapa,
Por entre telhados de telha,
O gato preto se raspa.
Há olhares curiosos na janela,
Onde passa o tempo à socapa,
Lá vem a cor amarela,
Do sol a bater na chapa.
E as nuvens que passam leves,
Descem rápidas a corrente,
Difunde-se o canto das aves,
E o sabor da nascente.
Passos largos pela aldeia,
Na viela entontecida,
Vai o cavalo na areia,
Naquela praia esquecida.
E de tanto que poesia escrevo,
Nem rimas sei rimar,
Por entre os dedos me atrevo,
A fazer o povo cantar!
Com estas palavras alegres,
Rio de tanto sentir,
Essa voz que agora ergues,
Vai fazer o povo sorrir!
E quedo-me nesta cadência,
Tumultos não quero causar,
Por tanta vã tendência,
Que teima em não rimar!
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